sábado, 19 de maio de 2012

Ser jovem ou ser velho é também um estado de espírito

Segundo matéria na noticiasuol.com.br uma japonesa de 73 anos de idade, estabeleceu um novo recorde mundial ao subir os 8.848 metros do Everest, feito que ela já tinha experimentado aos 63 anos.
No começo do mês, uma outra notícia de "recorde" batido por idosa chama a atenção. A escocesa Peggy McAlpine de 104 anos de idade entra novamente para o Guiness por ser a mulher mais velha a voar de parapente.
O que chama a atenção na minha opinião, é como essas velhinhas estão ou parecem estar felizes.
As declarações dadas por elas, são de uma vivacidade impressionante. 
Saúde, lucidez e felicidade: como reunir esse tripé mesmo depois de tantos anos vividos parece ser um grande desafio. 
Tenho acompanhado algumas amigas minhas que cuidam de suas mães e, muitas vezes da sogra, contando sobre o modo de vida, a rotina de muitas delas e sempre fico muito admirada. O uso da internet é uma constante nessas conversas: muitos aprenderam a usar a internet já na Terceira Idade e os motivos são os mais variados: navegar, ler as notícias e até para falar com os netos e as netas. 


Terceira Idade,internet,idosos


Veja o que diz a matéria: Quais são os hábitos da Terceira Idade na Internet?, de Leticia Alasse:

São grandes usuários de serviços online e passam, em média, quatro horas e 11 minutos conectados ao mundo virtual aos fins de semana. Pode não parecer, mas estas características representam os hábitos dos internautas da terceira idade no Brasil. Em comparação à quantidade de horas na internet, segundo o QualiBest, estes internautas navegam apenas 40 minutos menos que os jovens e o número de homens conectados é 30% maior do que o de mulheres.
Em outro trecho, a mesma matéria fala sobre o perfil dos internautas após os 60 anos de idade e mostra que:
Os homens são mais ativos do que as mulheres no meio digital neste período da vida. Segundo a pesquisa do QualiBest, o sexo masculino representa 65% dos usuários acima de 60 anos, apesar delas serem maioria no país. No total, o número de idosos no Brasil corresponde a 57% de mulheres e 43% de homens. Elas, por sua vez, são as que mais utilizam as ferramentas de bate-papo, como Skype e MSN, e redes sociais.
Um outro link da mesma matéria, fala sobre os novos hábitos de uma população que envelhece e alerta sobre alguns setores do mercado que ainda não dirige sua atenção para as pessoas com mais de 60 anos. É o caso do mercado de entretenimento.
Expectativa de vida cresce
Desde 1980, o brasileiro viu a expectativa de vida crescer 10,7 anos e, até 2050, tudo indica que a população estará vivendo, em média, 81 anos. Sem falar que os indivíduos com mais de 60 anos devem chegar a 64 milhões ainda na metade do século. Por isso, é bom que as marcas não percam tempo, redirecionem o olhar para este público e repensem a maneira de agir.

“A população madura tem novos hábitos e atitudes, completamente diferentes do que se fala da terceira idade. São pessoas mais ativas, otimistas em relação ao futuro, funcionais e, principalmente, independentes. Uma pessoa com 70 anos há três, quatro décadas, se preparava para os seus últimos dias. Hoje, ela faz planos para o futuro. O mercado está diante de grandes oportunidades a serem satisfeitas para esse público”, diz Arthur O'Leary Jr, Diretor Geral da Brasil Data Senior, em entrevista ao Mundo do Marketing. 
De tudo isso, fica um alerta, como bem colocado por uma das matérias aqui comentadas: senhores e senhoras publicitárias. Cuidado com o que vão dizer e como vão tratar as pessoas com mais de 60 anos nos comerciais e nas peças publicitárias. Essas pessoas não querem ser tratadas como especiais e não querem se sentir velhas. 
Ser jovem ou ser velho, lembremos, é também um estado de espírito. 


quinta-feira, 19 de abril de 2012

Feliz aniversário, Roberto!

Os meus primeiros namoros e paixões tinham a trilha sonora do Rei Roberto Carlos. Impossível esquecer. Feliz aniversário, Roberto!




sábado, 7 de abril de 2012

No botox

Essa semana li uma matéria sobre comércio ilegal de botox. A Polícia Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) prendeu sete pessoas na Operação Narke, envolvendo oito estados do Brasil. Gente presa em flagrante em Minas Gerais, Paraíba e Pernambuco por comercialização clandestina de toxina botulínica, conhecida como "botox", usada para tratamentos estéticos e de saúde. Também há médicos e outros profissionais de saúde que faziam uso dos produtos ilícitos. A notícia toda é chocante demais. 
O botox é extraído da bactéria Clostridium Botulinum, que é encontrado no veneno das cobras. A aplicação de botox é um dos tratamentos mais procurados no combate às rugas e marcas de expressão. Essa substância provoca uma paralisação no músculo, no local onde é aplicada e faz a pele ficar mais lisa e com menos ruga. Quando há exagero no uso da substância o resultado pode passar de milagroso para desastroso, deixando uma aparência artificial e uma face sem expressão. Dá uma olhada:

Meg Ryan


Cher
Pois é. Falta de expressão. Aparência artificial. Mas isso acontece também com os homens que cada vez mais aderem ao uso do botox e muitas vezes  carregam na mão em busca de rejuvenescimento, de uma aparência mais jovem e para fugir das rugas. Eu acho um horror uma expressão esticada, um sorriso "armado" e a completa ausência de rugas de expressão, seja em homem ou mulher. Mas para quem gosta, para quem quer fazer uso dessa substância o importante é saber a origem, certificar-se que se trata de um bom (ou boa) e respeitad@ profissional.

Segundo as investigações da Operação Narke, a toxina botulínica clandestina estava no mercado há pelo menos cinco anos. Produtos ilícitos e até falsificados podem estar circulando no mercado, o que representa um perigo enorme. Veja o que diz a matéria:
"Nos exames, os peritos notaram diferenças nas fórmulas entre as toxinas ilegais e as legais. Ao todo, cinco produtos têm a autorização da Anvisa para serem comercializados: Dysport, Botox, Prosigne, Botulift e Xeomin. O gerente da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa), Jaime Brito, recomenda que os pacientes verifiquem a procedência da substância antes de se submeter ao procedimento".

Portanto, se vai fazer um tratamento de rejuvenescimento que inclui a aplicação de botox, preste bem atenção. Vai lá no link da Anvisa, anota as informações e só comece o tratamento se estiver se sentindo segura - ou seguro. 


 
                                Mick Jagger: No botox


Suely Oliveira: No botox
Leia mais:
site da Anvisa
Diário de Pernambuco
Antes e Depois
Famosas que exageram no botox

Assista:
operação "botox"

terça-feira, 27 de março de 2012

Madonna - uma cinquentona

Madonna (Foto: revista QUEM)
A cantora pop apareceu de surpresa no Ultra Music Festival, em Miami, Flórida, no último dia 24 para apresentar um remix do seu novo single, "Girls Gone Wild". O figurino de Madonna como na maioria das vezes era ousado e deixava aparecer partes do seu corpo.
O jornal inglês "Daily Mail" criticou e foi seguido por vários outros que reproduziram as críticas. Quais? Que Madonna usava os cabelos longos para esconder o pescoço e usava luvas para esconder as mãos. Em outras palavras, Madonna estava escondendo as rugas, a velhice. E que a roupa deixava aparecer o bumbum. Que está "na hora" de deixar de usar meia arrastão. Tudo isso, como sabemos, porque Madonna é uma cinquentona. E mulheres de uma certa idade devem ser recatadas e sóbrias no vestir e no comportamento. Tudo invenção de uma sociedade machista. Tudo fruto de uma sociedade que valoriza a juventude e ainda menospreza a velhice, apesar da longevidade presente em muitos países, entre eles o Brasil.
Madonna já vendeu mais de trezentos milhões de discos no mundo inteiro. Segundo a enciclopédia livre, ela é reconhecida como a artista musical feminina mais bem sucedida de todos os tempos pelo Guinesse World Records. Depois de Barbra Streisand é a cantora que mais vende nos Estados Unidos. É considerada uma das melhores artistas de todos os tempos.
E, no entanto, tudo o que o tal jornal inglês consegue falar é de sua bunda e de sua idade. 
Madonna continua linda. E a mídia continua cruel com as mulheres, especialmente com aquelas que passaram dos "enta". Quarenta. Cinquenta. Sessenta...



Madonna recebe críticas afiadas por causa da forma física

sábado, 24 de março de 2012

Muito prazer!

cabaredasideias.com

O tema dos brinquedinhos eróticos de vez em quando volta no blog, seja quando a conversa tem a ver com masturbação, como aqui ou quando o papo é sobre orgasmo. 
O fato é que vibradores muitas vezes fazem a festa, seja para alimentar a fantasia ou quebrar a rotina de casais ou simplesmente para uma divertida masturbação. 
Essa semana passeando pela internet vi uma matéria no jornal O Diário de Notícias, um periódico de Portugal, sobre um estudo com 3.800 mulheres com idade entre 18 e 68 anos que mostra que a utilização do vibrador promove comportamentos saudáveis e aumenta a cumplicidade entre casais. 
Segundo o link a pesquisa foi publicada no "Journal of Sexual Medicine" e é um estudo de Debra Herbenick, do Centro de Promoção da Saúde Sexual da Universidade de Indiana (Estados Unidos) e conclui que 52% das mulheres entrevistadas admitem já ter usado um vibrador. Dessas, 83% usam o vibrador para estimular o clitóris; 64%  fazem uso do vibrador no interior da vagina.

Entre os dias 22 e 25 de março está acontecendo a 19a edição da Erotika Fair no Paláco do Centro de Convenções do Anhembi, na cidade de São Paulo. Ao que parece é uma grande feira - segundo alguns sites é o maior encontro de negócios do mercado erótico latino e a quarta maior feira do mundo. Eles oferecem de um tudo e esse ano foram destaques as aulas de pompoarismo, dança do ventre e pole dance.
Imagem:Google
Fiquei bastante curiosa, sobretudo, pensando como deve ter sido as aulas de pompoarismo - essa milenar técnica oriental que consiste em contrair e relaxar os músculos vaginais, com a finalidade de obter o prazer sexual. Muito conhecida, as bolinhas tailandesas são usadas para praticar o pompoarismo e obter o domínio da técnica.
É bem recomendada para fortalecer a musculatura do períneo e algumas parteiras falam que ajuda na preparação do canal para o momento do parto. Não sei. Mas se eu estivesse na Erotika juro que ia procurar saber sobre todas as novidades, tirar algumas dúvidas, não somente sobre o pompoarismo, claro.

Uma outra matéria diz que as mulheres são a maioria dos consumidores de produtos sensuais tanto nas lojas físicas como na internet. Elas chegam a atingir o patamar de 68% das compras. E o mais curioso. Veja o que diz a reportagem: "É na venda de produtos eróticos por catálogo que as mulheres se encontraram e consomem sem medo: são 90% dos consumidores, que compram vibradores, cosméticos, lingeries e acessórios. Se engana quem pensa que as compradoras são as mulheres em busca de prazer solitário ou "sacanagem". A pesquisa indica que 84% das consumidoras são casadas ou namoram, e a grande maioria delas, 81%, está no mesmo relacionamento há três anos ou mais. Compram produtos eróticos para comemorar uma data especial com o parceiro, para surpreende-lo ou simplesmente para agradá-lo".

Mesmo assim, é bom que se diga: o vibrador pode ser usado com o parceiro, com a namorada ou se quiser, sozinha. Entre os produtos eróticos você pode escolher gel ou creme estimulante, gel ou creme para sexo oral, lubrificante e os mais diversos tipos de vibrador. Escolha o que mais lhe agrada e boa sorte!

Mulheres lideram o consumo de produtos eróticos no Brasil
De gel a vibrador de ouro

sábado, 10 de março de 2012

Um Tempo Sem Nome

A crônica a seguir foi escrita por Rosiska Darcy de Oliveira e publicada originalmente no jornal O Globo em 21/01/12. Tem muito a ver com as reflexões que fazemos por aqui. Fala sobre novas e modernas formas de envelhecer. A conferir. 

Um Tempo Sem Nome

Com seu cabelo cinza, rugas novas e os mesmos olhos verdes, cantando madrigais para a moça de cabelo de abóbora, Chico Buarque de Holanda vai bater de frente com as patrulhas do senso comum. 
Elas torcem o nariz para mais essa audácia do trovador. O casal cinza e cor de abóbora segue seu caminho e tomara que ele continue cantando "eu sou tão feliz com ela" sem encontrar resposta ao "que será que dá dentro da gente que não devia".

Afinal, é o olhar estrangeiro que nos faz estrangeiros a nós mesmos e cria os interditos que balizam o que supostamente é ou deixa de ser adequado a uma faixa etária. O olhar alheio é mais cruel que a decadência das formas. É ele que mina a autoimagem, que nos constitui como velhos, desconhece e, de certa forma, proíbe a verdade de um corpo sujeito à impiedade dos anos sem que envelheça o alumbramento diante da vida.

Proust, que de gente entendia como ninguém, descreve o envelhecer como o mais abstrato dos sentimentos humanos. O príncipe Fabrizio Salinas, o Leopardo criado por Tommasi di Lampedusa, não ouvia o barulho dos grãos de areia que escorrem na ampulheta. Não fora o entorno e seus espelhos, netos que nascem, amigos que morrem, não fosse o tempo "um senhor tão bonito quanto a cara do meu filho", segundo Caetano, quem por si mesmo, se perceberia envelhecer? Morreríamos nos acreditando jovens como sempre fomos.

A vida sobrepõe uma série de experiências que não se anulam, ao contrário, se mesclam e compõem uma identidade. O idoso não anula dentro de si a criança e o adolescente, todos reais e atuais, fantasmas saudosos de um corpo que os acolhia, hoje inquilinos de uma pele em que não se reconhecem. E, se é verdade que o envelhecer é um fato e uma foto, é também verdade que quem não se reconhece na foto, se reconhece na memória e no frescor das emoções que persistem. É assim que, vulcânica, a adolescência pode brotar em um homem ou mulher de meia-idade, fazendo projetos que mal cabem em uma vida inteira.

Essa doce liberdade de se reinventar a cada dia poderia prescindir do esforço patético de camuflar com cirurgias de botoxes - obras na casa demolida - a inexorável escultura do tempo. O medo pânico de envelhecer, que fez da cirurgia estética um próspero campo da medicina e de uma vendedora de cosméticos a mais rica mulher do mundo, se explica justamente pela depreciação cultural e social que o avançar na idade provoca.

Ninguém quer parecer idoso, já que ser idoso está associado a uma sequência de perdas que começam com a da beleza e a da saúde. Verdadeira até então, essa depreciação vai sendo desmedida por uma saudável evolução das mentalidades: a velhice não é mais o que era antes. Nem é mais quando era antes. Os dois ritos de passagem que a anunciavam, o fim do trabalho e da libido, estão ambos, perdendo autoridade. Quem se aposenta continua a viver em um mundo irreconhecível que propõe novos interesses e atividades. A curiosidade se aguça na medida em que se é desafiado por bem mais que o tradicional choque de gerações com seus conflitos e desentendimentos. Uma verdadeira mudança de era nos leva de roldão, oferecendo-nos ao mesmo tempo o privilégio e o susto de dela participar.

A libido, seja por uma maior liberalização dos costumes, seja por progressos da medicina, reclama seus direitos na terceira idade com uma naturalidade que em outros tempos já foi chamada de despudor. Esmaece a fronteira entre as fases da vida. É o conceito de velhice que envelhece. Envelhecer como sinônimo de decadência deixou de ser uma profecia que se autorrealiza. Sem, no entanto, impedir a lucidez sobre o desfecho. 

"Meu tempo é curto e o tempo dela sobra", lamenta-se o trovador, que não ignora a traição que nosso corpo nos reserva. Nosso melhor amigo, que conhecemos melhor que nossa própria alma, companheiro dos maiores prazeres, um dia nos trairá, adverte o imperador Adriano em suas memórias escritas por Marguerite Yourcecar.

Todos os corpos são traidores. Essa traição, incontornável, que não é segredo para ninguém, não justifica transformar nossos dias em sala de espera, espectadores conformados e passivos da degradação das células e dos projetos de futuro, aguardando o dia da traição. Chico, à beira dos setenta anos, criando com brilho, ora literatura, ora música, cantando um novo amor, é a quintessência desse fenômeno, um tempo da vida que não se parece em nada com o que um dia se chamou de velhice. Esse tempo ainda não encontrou seu nome. Por enquanto podemos chamá-lo apenas de vida.

Rosiska Darcy de Oliveira é escritora.

O novo amor de Chico a que Rosiska se refere no texto é a cantora Thais Gulin, que aparece na música Essa Pequena, como você pode verificar:


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

É frevo.

Foto: Google imagem
O carnaval me enche de melancolia, de lembranças e de saudade. Da infância. De um tempo que passou. De amores vividos. Não sei bem. Quando eu era criança, a minha mãe ligava a nossa vitrola igualzinha a da foto ao lado, todos os dias de carnaval. Eu ficava sempre por perto, geralmente sentada no sofá com a capa do vinil na mão. Eu amava aquilo, mas era de uma tristeza profunda. Às vezes ela chorava. Eu não entendia direito. Mas quando cresci entendi rapidinho. As letras das músicas são saudosistas demais. Melancólicas demais. É saudade o tempo todo. Soma-se a isso a melodia e a musicalidade do frevo canção e do frevo de bloco, igualmente nostálgicas. Sem contar as inúmeras vezes que a palavra chorar aparece nas músicas da festa que é o símbolo da alegria. Compositores como Nelson Ferreira, Capiba, Aldemar Paiva, Antônio Maria, Getúlio Cavalcanti, J.Michilis e a compositora Fátima de Castro que o digam. E o mais incrível é que muitos desses compositores foram (ou são) animados foliões.
O primeiro sucesso de Capiba, É de amargar, conta a história de um amor mal sucedido, cujo autor parece disfarçar a tristeza falando de um novo amor que pode estar surgindo. Com essa música composta em 1934, Capiba foi vencedor de um festival de música carnavalesca. Segundo José Teles, o mais triste é que essa música foi composta sob forte impacto: a morte prematura de Sebastião, o irmão mais velho de Capiba:
"Eu bem sabia que esse amor um dia
Também tinha seu fim esta vida é mesmo assim
Não penses que estou triste nem que vou chorar
Eu vou cair no frevo que é de amargar".

Mesmo quando Manda embora essa tristeza, Capiba alimenta a própria saudade, com frases como:
"Tu pensas que eu levo de inverno a verão
A dançar e cantar com o meu violão
Mas, na verdade, te digo, afinal!
Eu só faço isso pelo carnaval".

Um amor que se foi. Um amor que não chegou. Solidão, choro e saudade. É a tônica dessas músicas.
É assim em Os melhores dias de minha vida:
"Eu fiquei chorando quando foste embora,
quem sente saudade é quem chora".

E segue na tristeza em
"A dor de uma saudade vive sempre em meu coração
ao relembrar alguém, deixando a recordação
Nunca mais hão de voltar os tempos felizes que passei em outros carnavais".

E,
"Quem tem saudade não está sozinho
Tem o carinho da recordação
Por isso quando estou mais isolado
Estou bem acompanhado com você no coração".

Galo da Madrugada (Imagem: Google) 
E tem as que lembram um carnaval de passado recente, como o hino do Galo da Madrugada:
"Acorda, Recife, Acorda
Que já é hora de está de pé
Levanta, o carnaval começou no bairro de São José

Vem, vem meninada,
vem conhecer o Galo da Madrugada

O Galo vai desfilando com beleza e harmonia
O Enéas comandando
E mostrando a alegria de um carnaval
Que basta brincar um dia

Vem, vem meninada
Vem conhecer o Galo da Madrugada

Se você desfilar esse ano
nunca mais vai esquecer a Padre Floriano
E no bairro de São José o Galo é quem vai cantar
E o Galo é quem vai mandar".


Em O Recife manhã de sol, é saudosismo a música inteira, de um Recife que não existe mais. Ou existe apenas nas lembranças do compositor J. Michilis:
"Vejo o Recife prateado
À luz da lua que surgiu
Há um poema dos namorados
No céu e nas águas dos rios

Um seresteiro e um violão
Anunciando o amanhecer
Recife inteiro vai render
Ave-Maria ao pé do altar

Bumba-meu boi, Maracatu
Recife dos meus carnavais
Não vejo mais sinhá mocinha
À luz de um lampião de gás

És primavera dos amores
Do horizonte és arrebol
Vai madrugada serena
Traz delirante poema
Recife manhã de sol".

E quando eu ficava o carnaval fora de Recife - muitas vezes eu ia à Campina Grande, na Paraíba - aí a saudade doía. E em qualquer tempo ouvir o Frevo número 1, de Antônio Maria dá vontade de chorar, 'uma saudade tão grande que eu até me embaraço. Recife está perto de mim'.




No Último regresso, Getúlio Cavalcanti é  pura despedida, recolhimento, adeus.
"No regresso de não mais voltar, suas pastoras vão pedir
Não deixem, não que um bloco campeão
Guarde no peito a dor de não mais cantar.
Um bloco a mais é o sonho que se faz
O pastoril da vida singular".

Em Sonhos de Capiba, abre-se o baú da recordação de músicas antigas e até fala em "manda embora essa tristeza, que hoje é carnaval", mas a tônica segue sendo a própria tristeza e as lembranças.
"Se esse sonho fosse realidade, eu queria matar a saudade ouvindo outras canções".

E ainda tem aquelas que evocam saudade, mesmo que a palavra não seja pronunciada. Ela vem na melodia, no ritmo que é choroso, que é saudoso como em Evocação número1, de Nelson Ferreira:
"E o Recife adormecia e ficava a sonhar, ao som da triste melodia".

E pra finalizar, o chororô da quarta-feira de cinzas:
É de fazer chorar - Eddie
Arquivo pessoal
Agora, enquanto não chega a quarta-feira ingrata, vamos aproveitar o máximo e brincar o carnaval 2012 que promete ser de chuva. Bom carnaval!

Leia mais e escute:
Principais compositores pernambucanos
Capiba: 25 anos de frevo
12 músicas de Capiba e Nelson Ferreira - 25 anos de frevo