Foi com o feminismo que descobri os encantos que tem a genitália feminina, ao contrário do que nos ensinam.
Conheci a minha intimidade. Eu mesma. Com a experiência do auto-exame, onde em grupos de reflexão conversávamos sobre as nossas vaginas.
Sobre o prazer que elas nos proporcionam. Derrubando mitos e preconceitos.
Descobri que a minha vagina tem cheiro de mim. Que tem uma cor que nenhuma outra tem. Da mesma forma que os meus lábios. Inclusive os grandes lábios.
Desde cedo, nos mandam fechar as pernas, lavar muito bem "as partes de baixo" e evitar qualquer menção ao nosso órgão genital. Que sangra. Que é feio. Que tem mau cheiro. Que escorre líquidos e está sempre úmido.
Que guarda mistérios - para vê-la é preciso a ajuda de um espelho, de um espéculo, de uma boa iluminação.
Vamos combinar. É uma palavra completamente destituída de sexo, de tesão. Vagina. É asséptica. Talvez por isso, receba tantos apelidos. Xoxota, pipiu, piquito, buceta. São inúmeros.
E é essa vagina que um dia para de sangrar. Para de ficar úmida. Pois, como já vimos aqui essa é uma das consequências do climatério - a secura vaginal - e é assim que repercute no organismo das mulheres e no imaginário popular. Mulheres secas. Por dentro e por fora.
Vagina, grandes lábios, vulva e clitóris compõem a nossa genitália feminina. O mais curioso é que nós mulheres temos um órgão cuja única função é proporcionar prazer. O clitóris.
Os Monólogos da vagina, de Eve Ensler, é um texto magnífico. A publicação que em 1998 foi finalmente traduzida no Brasil, produz até hoje, as maiores gargalhadas e descobertas em peças de teatro que ficam por anos em cartaz em diversas cidades do país.
A propósito: secura vaginal tem solução. Converse com o seu médico ou a sua médica. Existem cremes maravilhosos que fazem verdadeiros milagres.