domingo, 25 de dezembro de 2011

Cortar o Tempo - Drummond

Foto: Cosac Naify

Cortar o tempo

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra frente vai ser diferente.

Boas Festas! Um Feliz 2012 para tod@s nós!

sábado, 17 de dezembro de 2011

O tempo não para! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo. Mário Quintana

Cora Coralina (Imagem:Google)

Andava ausente, sem conseguir postar aqui no blog. Além dos atropelos comuns ao final do ano, no mês de novembro tem a campanha dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, o que fez com que eu precisasse me dedicar mais ao meu outro blog: o Matizes Feministas

Bom, quem manda inventar de ter dois blogs?! Faz parte. 

A campanha realmente tomou parte do meu tempo, mas o que quase me tirou o fôlego foram três conferências de políticas públicas seguidas: a 14a. Conferência Nacional de Saúde, a 3a. Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres e a 2a. Conferência nacional de políticas públicas e direitos humanos da população LGBT

Praticamente uma atrás da outra. As três conferências aconteceram em Brasília, mas foram precedidas de suas etapas municipais e estaduais. 
Acabei participando de todas. Como delegada governamental, convidada e observadora. Cada uma em uma categoria diferente. Em todas, o mesmo compromisso: a minha militância feminista.
Esse foi um ano em que aconteceram muitas conferências nacionais, inclusive a 2a. Conferência Nacional da Pessoa Idosa. Fiquei com pena de só saber da realização desta conferência depois que já havia ocorrido. Eu gostaria de ter ido lá, saber como foram realizadas as etapas municipais e estaduais, saber que tipo de política seria discutida. Soube que o tema desse ano foi "O Compromisso de Todos por um Envelhecimento Digno no Brasil".

Já sabemos pelos resultados do Censo desse ano que nós mulheres somos a maioria e que a população brasileira está mesmo envelhecendo. Mas ainda precisamos aprender como tratar os nossos velhos e velhas. Um país que está começando a viver com longevos, precisa conhecer as necessidades de uma população com um grande número de idosos e idosas. Valorizar, respeitar e reconhecer as diferenças é um bom começo. 

Argentina celebra primeiro casamento entre lésbicas

Aproveitei as conferências também para divulgar os meus blogs e falar sobre as Blogueiras Feministas. Esse ano a minha participação nas conferências foi bem diferente. Estive o tempo todo conectada à internet, informando e postando nas redes sociais assuntos e temas relacionados às conferências. Em vários momentos postei o link de rádios comunitárias que transmitiam ao vivo e diretamente do local de realização das conferências. As Blogueiras Feministas - articulação de ativistas feministas digitais da qual eu faço parte -  tiveram uma ação conjunta, recebendo credencial de "imprensa" e com livre acesso nos espaços onde aconteceram os eventos. Foi muito bom. Em breve vou divulgar os posts feitos pelas blogueiras sobre esse momento importante que o Brasil está vivendo.

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domingo, 27 de novembro de 2011

Oração ao Tempo

Essa música de Caetano Veloso sempre me faz refletir sobre o quão implacável é o tempo que não para nunca, que não dá trégua a ninguém. Segue seu rumo.
Ainda bem. Isso significa que tudo passa. Para todas as pessoas. 

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Caetano Veloso
Tempo tempo tempo...                                
Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo
Que sejas ainda mais vivo
No som do seu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo

Caetano Veloso (Foto: Google)
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...
O que usaremos pra isso
Tempo tempo tempo tempo
Fica guardado um sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas comigo e contigo
Tempo tempo tempo tempo
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido                                                
Tempo tempo tempo tempo
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo.


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

É a lei natural da vida


Não tem jeito. De vez em quando novas matérias sobre o segredo da eterna juventude aparecem nas manchetes de várias revistas nacionais. 
Quase sempre são matérias especiais, incluindo dicas, modo e hábitos de vida, receitas, dietas, ginásticas e cremes. Tudo prometendo a fórmula mágica para uma aparência perfeita de juventude. Essa semana é a IstoÉ.
Se a gente prestar um pouco mais de atenção, vai ver que além das revistas, as propagandas e comerciais prometem a mesma coisa: juventude eterna.
Rosto jovial às custas do bisturi ou do botox. Menos dez anos em duas semanas, prometem os cremes anti-ruga. 
Depois da cirurgia, "pequenos retoques". De cara nova, é o que prometem. 
E assim, de botox em botox, pequenos retoques aqui e acolá, nascem verdadeiros... monstros! O alisa daqui, alisa dali, no final acaba deixando as pessoas sem expressão. Ou com uma expressão que não é própria da pessoa.
Rosa Marinho Murtinho (foto: Ronaldo Ceravolo)
Na matéria Ter ou não ter rugas, eis a decisão, várias artistas falam sobre o dilema de caprichar na plástica e comprometer o seu desempenho profissional, afinal de contas, muitos (e muitas) dependem da expressão facial - faz parte do trabalho. Na mesma matéria, Maria Adelaide Amaral que 'confessa' já ter feito plástica na região dos olhos e lifting no pescoço, abomina o botox. Para ela, "Algumas estão exagerando tanto que até para o autor definir o personagem fica difícil: a pessoa não tem cara nem de avó nem de mãe". 
Fernanda Montenegro (Foto:Google)
Fernanda Montenegro já interpretou mulheres de todas as idades. Está com 80 anos e diz que o melhor dessa idade é estar viva. Atualmente ela está em cartaz com a peça "Viver sem tempos mortos", sobre a escritora feminista Simone de Beauvoir. Fernanda fez somente uma plástica para tirar as bolsas dos olhos. Na revista Bravo, em uma bela entrevista, Fernanda Montenegro fala como tem sido atuar em uma peça teatral sobre Beauvoir. E faz uma profunda reflexão sobre a morte, sobre a sua relação com Fernando Torres e sobre a vida. Vale a pena dar uma espiada.

E eu sigo envelhecendo, permitindo que as minhas rugas de expressão, apareçam. Os cabelos que um dia foram louros, seguem embranquecendo. É a lei natural da vida. Não quero ser o que não sou. Não quero parecer ter menos idade do que tenho. Quero ser exatamente como eu sou. Gosto do que vejo. Reconheço em mim o que sempre fui e o que sou. E isso é muito bom.

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domingo, 30 de outubro de 2011

A velhice, o passado e as recordações

Há muitos anos vi um filme chamado Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman. O filme é de 1957 - um ano antes do meu nascimento - e eu só fui assisti-lo nos anos oitenta, no Cinema do Parque (Recife) se não me falha a memória. No Parque tinha um sessão especial de filme de arte. Eu sempre ia com um grupo de amigos e amigas ou com o namorado. De lá, a diversão continuava, pois íamos todos a um bar e a conversa seguia em debate sobre o filme, entre cervejas e petiscos. Era muito bom.


Victor Sjöstrom (Foto:Google)
No filme Morangos Silvestres, o professor Isak Borg (Victor Sjöström) vai de carro com sua nora Marianne Borg (Ingrid Thulin) de Estocolmo a Lund para receber um prêmio da Universidade de Lund, em reconhecimento pelos seus 50 anos de carreira.
O professor desiste de fazer a viagem de avião depois de um pesadelo em que ele se vê num lugar desconhecido, cujos relógios não tem ponteiros e onde uma carruagem carrega um caixão com ele mesmo morto. Veja a sequência do sonho.
   
   

A viagem com a nora é permeada por momentos difíceis, onde ela comenta que o acha um velho egoísta e aproveita para contar que o filho o odeia.
Em certo momento ele faz uma parada para mostrar a Marianne a casa onde sua família passava as férias e ela aproveita para tomar um banho no lago próximo à casa.

Bibi Anderson (Imagem: Google)
Isak aguarda junto aos pés de morangos silvestres, recordando o passado. Ele vai lembrando dos principais momentos de sua vida, pensando e, ao mesmo tempo, temendo a morte que se aproxima. 
É mesmo um filme belíssimo e Bergman mostra como é difícil 
reviver o passado, como é duro envelhecer e como a vida passa
muito rápido.
Isak volta ao passado, mas como ele é nos dias atuais. E não é assim que acontece com a gente? Recordar o passado, se transportar para os momentos longínquos da vida, mas nessa volta ao tempo somos o 
que somos. Ele lembra de sua prima Sara (Bibi Anderson) por quem um dia foi apaixonado e que foi o grande amor de sua vida. E na sequência uma série de lembranças de um passado que não volta mais.



É um dos mais belos filmes sobre a velhice, a memória e as recordações. Vale a pena assistir. 

Leia mais:

terça-feira, 18 de outubro de 2011

"Lo que me queda por vivir, será en sonrisas". Omara Portuondo

Omara Portuondo (Foto:Google)



Omara Portuondo é uma cantora e dançarina cubana que só começou a fazer sucesso e ser reconhecida internacionalmente quando já se aproximava dos seus 70 anos. Isso aconteceu nos anos noventa, ocasião em que foi lançado o documentário Buena Vista Social Club, do diretor alemão Win Wenders. Ela era a única mulher a integrar o grupo. O filme mostra como foi a trajetória de (re) descoberta de músicos cubanos pelo produtor musical Ry Cooder, entre eles, Ibrahim Ferrer, Compay Segundo, Omara Portuondo, Eliades Ochoa, Faustino Oramas e Rubén Gonzáles.

Imagem: Google
É um belíssimo filme que vi pela primeira vez no cinema, depois comprei o dvd e já revi várias vezes. E não me canso de assistir.
No documentário cada um dos músicos e a única mulher - Omara Portuondo - contam a sua história.
O filme mostra como Ry Cooder chega à Havana, em 1996 para reunir esses músicos e gravar o álbum Buena Vista Social Club, cujo título é uma referência a uma antiga casa de shows cubana que havia deixado de existir pelos anos 50.
Além disso, o filme retrata como a vida desses artistas deu uma guinada a partir do sucesso com o disco Buena Vista Social Club, premiado com um Grammy.





Não tenho nenhuma pretensão de fazer uma retrospectiva da vida desta senhora que do alto dos seus 81 continua bela, elegante e brilhante. Apenas registrar a minha admiração.
Li a entrevista que Omara Portuondo deu à revista Marie Claire  e fiquei maravilhada de confirmar que não existe idade para ser feliz, realizar sonhos e encontrar novos caminhos.

Destaco aqui um dos trechos da entrevista que me deixou prazerosamente perplexa:

"Bem, eu sei que quando eu nasci, não sabia de nada (risos). Tudo tem de ser assim: crescemos, chegamos à idade adulta, envelhecemos e há de chegar a hora e não há o que fazer. É por isso que devemos dar tempo ao tempo e seguir trabalhando. Quando tenho vontade de dançar, eu danço, quando tenho tempo para nadar, nado, tomo um pouco de sol e faço exercícios também. Isso tudo me dá muita vida. A natureza me dá muitas coisas a troco de nada. Também faço check-ups com frequência, fisioterapia para os meus joelhos e, quando tenho tempo, faço massagens. Tudo para ter as melhores condições para seguir trabalhando. O coração, no entanto, está intacto (risos). O que precisamos é de amor. Com ele, tudo é possível."

E viva Omara!




Leia mais:
http://www.infoescola.com/biografias/omara-portuondo/
El humilde fotero del pánico
Wikipédia
yo nací para la música

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Tomar remédio só com prescrição médica. Em qualquer idade.

Foto: google

Hoje li uma matéria na BBC Brasil sobre um estudo que foi realizado por pesquisadores da Finlândia com mulheres na faixa etária de 50 e 60 anos. Segundo a pesquisa, o consumo de suplementos alimentares com vitaminas e outros, pode aumentar o risco de mortalidade. 

Bom, claro que tem uma série de fatores que precisam ser levados em consideração, como o estado geral da população, mas o estudo sugere que devemos usar um medicamento apenas com recomendação médica. O que deveria ser regra em qualquer idade, não? 

Segundo a pesquisa, suplementos de vitaminas, ácido fólico, vitamina B6, magnésio, zinco, cobre e ferro parecem estar ligados ao risco de aumento da mortalidade.

A matéria diz que "Os cientistas da Universidade do Leste da Finlândia afirmam que o estudo contou com 38 mil mulheres americanas, todas geralmente sem problemas de nutrição e nas faixas etárias de 50 e 60 anos". As participantes relataram quais as vitaminas e minerais tomaram nas duas décadas anteriores. 

Segundo a reportagem, "Os pesquisadores finlandeses afirmam que outros fatores envolvidos podem ter influenciado sua descoberta, como o estado geral de saúde das participantes da pesquisa." 

Diz, ainda, que "os cientistas afirmam que suas descobertas sugerem que estes suplementos devem ser usados apenas se houver um motivo médico".

Por fim, a matéria diz que "Com base nas provas existentes, vemos pouca justificativa para o uso generalizado de suplementos de dieta", é o que diz Jaaku Mursu, da Universidade do Leste da Finlândia.

A reportagem termina dizendo que o estudo foi publicado na revista especializada Archives of Internal Medicine.