Os meus primeiros namoros e paixões tinham a trilha sonora do Rei Roberto Carlos. Impossível esquecer. Feliz aniversário, Roberto!
O blog é um espaço para discussões feministas referentes ao climatério e à menopausa.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
sábado, 7 de abril de 2012
No botox
Essa semana li uma matéria sobre comércio ilegal de botox. A Polícia Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) prendeu sete pessoas na Operação Narke, envolvendo oito estados do Brasil. Gente presa em flagrante em Minas Gerais, Paraíba e Pernambuco por comercialização clandestina de toxina botulínica, conhecida como "botox", usada para tratamentos estéticos e de saúde. Também há médicos e outros profissionais de saúde que faziam uso dos produtos ilícitos. A notícia toda é chocante demais.
O botox é extraído da bactéria Clostridium Botulinum, que é encontrado no veneno das cobras. A aplicação de botox é um dos tratamentos mais procurados no combate às rugas e marcas de expressão. Essa substância provoca uma paralisação no músculo, no local onde é aplicada e faz a pele ficar mais lisa e com menos ruga. Quando há exagero no uso da substância o resultado pode passar de milagroso para desastroso, deixando uma aparência artificial e uma face sem expressão. Dá uma olhada:
| Meg Ryan |
| Cher |
Pois é. Falta de expressão. Aparência artificial. Mas isso acontece também com os homens que cada vez mais aderem ao uso do botox e muitas vezes carregam na mão em busca de rejuvenescimento, de uma aparência mais jovem e para fugir das rugas. Eu acho um horror uma expressão esticada, um sorriso "armado" e a completa ausência de rugas de expressão, seja em homem ou mulher. Mas para quem gosta, para quem quer fazer uso dessa substância o importante é saber a origem, certificar-se que se trata de um bom (ou boa) e respeitad@ profissional.
Segundo as investigações da Operação Narke, a toxina botulínica clandestina estava no mercado há pelo menos cinco anos. Produtos ilícitos e até falsificados podem estar circulando no mercado, o que representa um perigo enorme. Veja o que diz a matéria:
"Nos exames, os peritos notaram diferenças nas fórmulas entre as toxinas ilegais e as legais. Ao todo, cinco produtos têm a autorização da Anvisa para serem comercializados: Dysport, Botox, Prosigne, Botulift e Xeomin. O gerente da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa), Jaime Brito, recomenda que os pacientes verifiquem a procedência da substância antes de se submeter ao procedimento".
Portanto, se vai fazer um tratamento de rejuvenescimento que inclui a aplicação de botox, preste bem atenção. Vai lá no link da Anvisa, anota as informações e só comece o tratamento se estiver se sentindo segura - ou seguro.
Mick Jagger: No botox |
| Suely Oliveira: No botox |
site da Anvisa
Diário de Pernambuco
Antes e Depois
Famosas que exageram no botox
Assista:
operação "botox"
terça-feira, 27 de março de 2012
Madonna - uma cinquentona
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| Madonna (Foto: revista QUEM) |
A cantora pop apareceu de surpresa no Ultra Music Festival, em Miami, Flórida, no último dia 24 para apresentar um remix do seu novo single, "Girls Gone Wild". O figurino de Madonna como na maioria das vezes era ousado e deixava aparecer partes do seu corpo.
O jornal inglês "Daily Mail" criticou e foi seguido por vários outros que reproduziram as críticas. Quais? Que Madonna usava os cabelos longos para esconder o pescoço e usava luvas para esconder as mãos. Em outras palavras, Madonna estava escondendo as rugas, a velhice. E que a roupa deixava aparecer o bumbum. Que está "na hora" de deixar de usar meia arrastão. Tudo isso, como sabemos, porque Madonna é uma cinquentona. E mulheres de uma certa idade devem ser recatadas e sóbrias no vestir e no comportamento. Tudo invenção de uma sociedade machista. Tudo fruto de uma sociedade que valoriza a juventude e ainda menospreza a velhice, apesar da longevidade presente em muitos países, entre eles o Brasil.
Madonna já vendeu mais de trezentos milhões de discos no mundo inteiro. Segundo a enciclopédia livre, ela é reconhecida como a artista musical feminina mais bem sucedida de todos os tempos pelo Guinesse World Records. Depois de Barbra Streisand é a cantora que mais vende nos Estados Unidos. É considerada uma das melhores artistas de todos os tempos.
E, no entanto, tudo o que o tal jornal inglês consegue falar é de sua bunda e de sua idade.
Madonna continua linda. E a mídia continua cruel com as mulheres, especialmente com aquelas que passaram dos "enta". Quarenta. Cinquenta. Sessenta...O jornal inglês "Daily Mail" criticou e foi seguido por vários outros que reproduziram as críticas. Quais? Que Madonna usava os cabelos longos para esconder o pescoço e usava luvas para esconder as mãos. Em outras palavras, Madonna estava escondendo as rugas, a velhice. E que a roupa deixava aparecer o bumbum. Que está "na hora" de deixar de usar meia arrastão. Tudo isso, como sabemos, porque Madonna é uma cinquentona. E mulheres de uma certa idade devem ser recatadas e sóbrias no vestir e no comportamento. Tudo invenção de uma sociedade machista. Tudo fruto de uma sociedade que valoriza a juventude e ainda menospreza a velhice, apesar da longevidade presente em muitos países, entre eles o Brasil.
Madonna já vendeu mais de trezentos milhões de discos no mundo inteiro. Segundo a enciclopédia livre, ela é reconhecida como a artista musical feminina mais bem sucedida de todos os tempos pelo Guinesse World Records. Depois de Barbra Streisand é a cantora que mais vende nos Estados Unidos. É considerada uma das melhores artistas de todos os tempos.
E, no entanto, tudo o que o tal jornal inglês consegue falar é de sua bunda e de sua idade.
Madonna recebe críticas afiadas por causa da forma física
sábado, 24 de março de 2012
Muito prazer!
| cabaredasideias.com |
O tema dos brinquedinhos eróticos de vez em quando volta no blog, seja quando a conversa tem a ver com masturbação, como aqui ou quando o papo é sobre orgasmo.
O fato é que vibradores muitas vezes fazem a festa, seja para alimentar a fantasia ou quebrar a rotina de casais ou simplesmente para uma divertida masturbação.
Essa semana passeando pela internet vi uma matéria no jornal O Diário de Notícias, um periódico de Portugal, sobre um estudo com 3.800 mulheres com idade entre 18 e 68 anos que mostra que a utilização do vibrador promove comportamentos saudáveis e aumenta a cumplicidade entre casais.
Segundo o link a pesquisa foi publicada no "Journal of Sexual Medicine" e é um estudo de Debra Herbenick, do Centro de Promoção da Saúde Sexual da Universidade de Indiana (Estados Unidos) e conclui que 52% das mulheres entrevistadas admitem já ter usado um vibrador. Dessas, 83% usam o vibrador para estimular o clitóris; 64% fazem uso do vibrador no interior da vagina.
Entre os dias 22 e 25 de março está acontecendo a 19a edição da Erotika Fair no Paláco do Centro de Convenções do Anhembi, na cidade de São Paulo. Ao que parece é uma grande feira - segundo alguns sites é o maior encontro de negócios do mercado erótico latino e a quarta maior feira do mundo. Eles oferecem de um tudo e esse ano foram destaques as aulas de pompoarismo, dança do ventre e pole dance.
Fiquei bastante curiosa, sobretudo, pensando como deve ter sido as aulas de pompoarismo - essa milenar técnica oriental que consiste em contrair e relaxar os músculos vaginais, com a finalidade de obter o prazer sexual. Muito conhecida, as bolinhas tailandesas são usadas para praticar o pompoarismo e obter o domínio da técnica.
É bem recomendada para fortalecer a musculatura do períneo e algumas parteiras falam que ajuda na preparação do canal para o momento do parto. Não sei. Mas se eu estivesse na Erotika juro que ia procurar saber sobre todas as novidades, tirar algumas dúvidas, não somente sobre o pompoarismo, claro.
Uma outra matéria diz que as mulheres são a maioria dos consumidores de produtos sensuais tanto nas lojas físicas como na internet. Elas chegam a atingir o patamar de 68% das compras. E o mais curioso. Veja o que diz a reportagem: "É na venda de produtos eróticos por catálogo que as mulheres se encontraram e consomem sem medo: são 90% dos consumidores, que compram vibradores, cosméticos, lingeries e acessórios. Se engana quem pensa que as compradoras são as mulheres em busca de prazer solitário ou "sacanagem". A pesquisa indica que 84% das consumidoras são casadas ou namoram, e a grande maioria delas, 81%, está no mesmo relacionamento há três anos ou mais. Compram produtos eróticos para comemorar uma data especial com o parceiro, para surpreende-lo ou simplesmente para agradá-lo".
Mesmo assim, é bom que se diga: o vibrador pode ser usado com o parceiro, com a namorada ou se quiser, sozinha. Entre os produtos eróticos você pode escolher gel ou creme estimulante, gel ou creme para sexo oral, lubrificante e os mais diversos tipos de vibrador. Escolha o que mais lhe agrada e boa sorte!
Mulheres lideram o consumo de produtos eróticos no Brasil| Imagem:Google |
É bem recomendada para fortalecer a musculatura do períneo e algumas parteiras falam que ajuda na preparação do canal para o momento do parto. Não sei. Mas se eu estivesse na Erotika juro que ia procurar saber sobre todas as novidades, tirar algumas dúvidas, não somente sobre o pompoarismo, claro.
Uma outra matéria diz que as mulheres são a maioria dos consumidores de produtos sensuais tanto nas lojas físicas como na internet. Elas chegam a atingir o patamar de 68% das compras. E o mais curioso. Veja o que diz a reportagem: "É na venda de produtos eróticos por catálogo que as mulheres se encontraram e consomem sem medo: são 90% dos consumidores, que compram vibradores, cosméticos, lingeries e acessórios. Se engana quem pensa que as compradoras são as mulheres em busca de prazer solitário ou "sacanagem". A pesquisa indica que 84% das consumidoras são casadas ou namoram, e a grande maioria delas, 81%, está no mesmo relacionamento há três anos ou mais. Compram produtos eróticos para comemorar uma data especial com o parceiro, para surpreende-lo ou simplesmente para agradá-lo".
Mesmo assim, é bom que se diga: o vibrador pode ser usado com o parceiro, com a namorada ou se quiser, sozinha. Entre os produtos eróticos você pode escolher gel ou creme estimulante, gel ou creme para sexo oral, lubrificante e os mais diversos tipos de vibrador. Escolha o que mais lhe agrada e boa sorte!
De gel a vibrador de ouro
sábado, 10 de março de 2012
Um Tempo Sem Nome
A crônica a seguir foi escrita por Rosiska Darcy de Oliveira e publicada originalmente no jornal O Globo em 21/01/12. Tem muito a ver com as reflexões que fazemos por aqui. Fala sobre novas e modernas formas de envelhecer. A conferir.
Um Tempo Sem Nome
Com seu cabelo cinza, rugas novas e os mesmos olhos verdes, cantando madrigais para a moça de cabelo de abóbora, Chico Buarque de Holanda vai bater de frente com as patrulhas do senso comum.
Elas torcem o nariz para mais essa audácia do trovador. O casal cinza e cor de abóbora segue seu caminho e tomara que ele continue cantando "eu sou tão feliz com ela" sem encontrar resposta ao "que será que dá dentro da gente que não devia".
Afinal, é o olhar estrangeiro que nos faz estrangeiros a nós mesmos e cria os interditos que balizam o que supostamente é ou deixa de ser adequado a uma faixa etária. O olhar alheio é mais cruel que a decadência das formas. É ele que mina a autoimagem, que nos constitui como velhos, desconhece e, de certa forma, proíbe a verdade de um corpo sujeito à impiedade dos anos sem que envelheça o alumbramento diante da vida.
Proust, que de gente entendia como ninguém, descreve o envelhecer como o mais abstrato dos sentimentos humanos. O príncipe Fabrizio Salinas, o Leopardo criado por Tommasi di Lampedusa, não ouvia o barulho dos grãos de areia que escorrem na ampulheta. Não fora o entorno e seus espelhos, netos que nascem, amigos que morrem, não fosse o tempo "um senhor tão bonito quanto a cara do meu filho", segundo Caetano, quem por si mesmo, se perceberia envelhecer? Morreríamos nos acreditando jovens como sempre fomos.
A vida sobrepõe uma série de experiências que não se anulam, ao contrário, se mesclam e compõem uma identidade. O idoso não anula dentro de si a criança e o adolescente, todos reais e atuais, fantasmas saudosos de um corpo que os acolhia, hoje inquilinos de uma pele em que não se reconhecem. E, se é verdade que o envelhecer é um fato e uma foto, é também verdade que quem não se reconhece na foto, se reconhece na memória e no frescor das emoções que persistem. É assim que, vulcânica, a adolescência pode brotar em um homem ou mulher de meia-idade, fazendo projetos que mal cabem em uma vida inteira.
Essa doce liberdade de se reinventar a cada dia poderia prescindir do esforço patético de camuflar com cirurgias de botoxes - obras na casa demolida - a inexorável escultura do tempo. O medo pânico de envelhecer, que fez da cirurgia estética um próspero campo da medicina e de uma vendedora de cosméticos a mais rica mulher do mundo, se explica justamente pela depreciação cultural e social que o avançar na idade provoca.
Ninguém quer parecer idoso, já que ser idoso está associado a uma sequência de perdas que começam com a da beleza e a da saúde. Verdadeira até então, essa depreciação vai sendo desmedida por uma saudável evolução das mentalidades: a velhice não é mais o que era antes. Nem é mais quando era antes. Os dois ritos de passagem que a anunciavam, o fim do trabalho e da libido, estão ambos, perdendo autoridade. Quem se aposenta continua a viver em um mundo irreconhecível que propõe novos interesses e atividades. A curiosidade se aguça na medida em que se é desafiado por bem mais que o tradicional choque de gerações com seus conflitos e desentendimentos. Uma verdadeira mudança de era nos leva de roldão, oferecendo-nos ao mesmo tempo o privilégio e o susto de dela participar.
A libido, seja por uma maior liberalização dos costumes, seja por progressos da medicina, reclama seus direitos na terceira idade com uma naturalidade que em outros tempos já foi chamada de despudor. Esmaece a fronteira entre as fases da vida. É o conceito de velhice que envelhece. Envelhecer como sinônimo de decadência deixou de ser uma profecia que se autorrealiza. Sem, no entanto, impedir a lucidez sobre o desfecho.
"Meu tempo é curto e o tempo dela sobra", lamenta-se o trovador, que não ignora a traição que nosso corpo nos reserva. Nosso melhor amigo, que conhecemos melhor que nossa própria alma, companheiro dos maiores prazeres, um dia nos trairá, adverte o imperador Adriano em suas memórias escritas por Marguerite Yourcecar.
Todos os corpos são traidores. Essa traição, incontornável, que não é segredo para ninguém, não justifica transformar nossos dias em sala de espera, espectadores conformados e passivos da degradação das células e dos projetos de futuro, aguardando o dia da traição. Chico, à beira dos setenta anos, criando com brilho, ora literatura, ora música, cantando um novo amor, é a quintessência desse fenômeno, um tempo da vida que não se parece em nada com o que um dia se chamou de velhice. Esse tempo ainda não encontrou seu nome. Por enquanto podemos chamá-lo apenas de vida.
Rosiska Darcy de Oliveira é escritora.
O novo amor de Chico a que Rosiska se refere no texto é a cantora Thais Gulin, que aparece na música Essa Pequena, como você pode verificar:
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
É frevo.
| Foto: Google imagem |
O carnaval me enche de melancolia, de lembranças e de saudade. Da infância. De um tempo que passou. De amores vividos. Não sei bem. Quando eu era criança, a minha mãe ligava a nossa vitrola igualzinha a da foto ao lado, todos os dias de carnaval. Eu ficava sempre por perto, geralmente sentada no sofá com a capa do vinil na mão. Eu amava aquilo, mas era de uma tristeza profunda. Às vezes ela chorava. Eu não entendia direito. Mas quando cresci entendi rapidinho. As letras das músicas são saudosistas demais. Melancólicas demais. É saudade o tempo todo. Soma-se a isso a melodia e a musicalidade do frevo canção e do frevo de bloco, igualmente nostálgicas. Sem contar as inúmeras vezes que a palavra chorar aparece nas músicas da festa que é o símbolo da alegria. Compositores como Nelson Ferreira, Capiba, Aldemar Paiva, Antônio Maria, Getúlio Cavalcanti, J.Michilis e a compositora Fátima de Castro que o digam. E o mais incrível é que muitos desses compositores foram (ou são) animados foliões.
O primeiro sucesso de Capiba, É de amargar, conta a história de um amor mal sucedido, cujo autor parece disfarçar a tristeza falando de um novo amor que pode estar surgindo. Com essa música composta em 1934, Capiba foi vencedor de um festival de música carnavalesca. Segundo José Teles, o mais triste é que essa música foi composta sob forte impacto: a morte prematura de Sebastião, o irmão mais velho de Capiba:
"Eu bem sabia que esse amor um dia
Também tinha seu fim esta vida é mesmo assim
Não penses que estou triste nem que vou chorar
Eu vou cair no frevo que é de amargar".
Mesmo quando Manda embora essa tristeza, Capiba alimenta a própria saudade, com frases como:
"Tu pensas que eu levo de inverno a verão
A dançar e cantar com o meu violão
Mas, na verdade, te digo, afinal!
Eu só faço isso pelo carnaval".
Um amor que se foi. Um amor que não chegou. Solidão, choro e saudade. É a tônica dessas músicas.
É assim em Os melhores dias de minha vida:
"Eu fiquei chorando quando foste embora,
quem sente saudade é quem chora".
E segue na tristeza em
"A dor de uma saudade vive sempre em meu coração
ao relembrar alguém, deixando a recordaçãoO primeiro sucesso de Capiba, É de amargar, conta a história de um amor mal sucedido, cujo autor parece disfarçar a tristeza falando de um novo amor que pode estar surgindo. Com essa música composta em 1934, Capiba foi vencedor de um festival de música carnavalesca. Segundo José Teles, o mais triste é que essa música foi composta sob forte impacto: a morte prematura de Sebastião, o irmão mais velho de Capiba:
"Eu bem sabia que esse amor um dia
Também tinha seu fim esta vida é mesmo assim
Não penses que estou triste nem que vou chorar
Eu vou cair no frevo que é de amargar".
Mesmo quando Manda embora essa tristeza, Capiba alimenta a própria saudade, com frases como:
"Tu pensas que eu levo de inverno a verão
A dançar e cantar com o meu violão
Mas, na verdade, te digo, afinal!
Eu só faço isso pelo carnaval".
Um amor que se foi. Um amor que não chegou. Solidão, choro e saudade. É a tônica dessas músicas.
É assim em Os melhores dias de minha vida:
"Eu fiquei chorando quando foste embora,
quem sente saudade é quem chora".
E segue na tristeza em
"A dor de uma saudade vive sempre em meu coração
Nunca mais hão de voltar os tempos felizes que passei em outros carnavais".
E,
"Quem tem saudade não está sozinho
Tem o carinho da recordação
Por isso quando estou mais isolado
Estou bem acompanhado com você no coração".
| Galo da Madrugada (Imagem: Google) |
"Acorda, Recife, Acorda
Que já é hora de está de pé
Levanta, o carnaval começou no bairro de São José
Vem, vem meninada,
vem conhecer o Galo da Madrugada
O Galo vai desfilando com beleza e harmonia
O Enéas comandando
E mostrando a alegria de um carnaval
Que basta brincar um dia
Vem, vem meninada
Vem conhecer o Galo da Madrugada
Se você desfilar esse ano
nunca mais vai esquecer a Padre Floriano
E no bairro de São José o Galo é quem vai cantar
E o Galo é quem vai mandar".
Em O Recife manhã de sol, é saudosismo a música inteira, de um Recife que não existe mais. Ou existe apenas nas lembranças do compositor J. Michilis:
"Vejo o Recife prateado
À luz da lua que surgiu
Há um poema dos namorados
No céu e nas águas dos rios
Um seresteiro e um violão
Anunciando o amanhecer
Recife inteiro vai render
Ave-Maria ao pé do altar
Bumba-meu boi, Maracatu
Recife dos meus carnavais
Não vejo mais sinhá mocinha
À luz de um lampião de gás
És primavera dos amores
Do horizonte és arrebol
Vai madrugada serena
Traz delirante poema
Recife manhã de sol".
E quando eu ficava o carnaval fora de Recife - muitas vezes eu ia à Campina Grande, na Paraíba - aí a saudade doía. E em qualquer tempo ouvir o Frevo número 1, de Antônio Maria dá vontade de chorar, 'uma saudade tão grande que eu até me embaraço. Recife está perto de mim'.
No Último regresso, Getúlio Cavalcanti é pura despedida, recolhimento, adeus.
"No regresso de não mais voltar, suas pastoras vão pedir
Não deixem, não que um bloco campeão
Guarde no peito a dor de não mais cantar.
Um bloco a mais é o sonho que se faz
O pastoril da vida singular".
Em Sonhos de Capiba, abre-se o baú da recordação de músicas antigas e até fala em "manda embora essa tristeza, que hoje é carnaval", mas a tônica segue sendo a própria tristeza e as lembranças.
"Se esse sonho fosse realidade, eu queria matar a saudade ouvindo outras canções".
E ainda tem aquelas que evocam saudade, mesmo que a palavra não seja pronunciada. Ela vem na melodia, no ritmo que é choroso, que é saudoso como em Evocação número1, de Nelson Ferreira:
"E o Recife adormecia e ficava a sonhar, ao som da triste melodia".
É de fazer chorar - Eddie
| Arquivo pessoal |
Leia mais e escute:
Principais compositores pernambucanos
Capiba: 25 anos de frevo
12 músicas de Capiba e Nelson Ferreira - 25 anos de frevo
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Coroas
| Imagem: Google |
Há também o igualmente famoso bloco Nem Sempre Lili Toca Flauta, que se concentra no Mercado da Boa Vista e que muitas vezes nem chega a sair em desfile pelas ruas do Recife. Não tem problema. Ali mesmo no Mercado todo mundo faz a festa. É assim desde 1989, quando o bloco foi criado.
| Mercado da Boa Vista (Foto: arquivo pessoal) |
| Ana Paula (Foto: arquivo pessoal) |
| Coroas de Aço Inox (Foto: Arquivo pessoal) |
Neste post foram citados apenas alguns. Vale a pena dar uma olhada na programação nos jornais dos finais de semana. Tem para todo gosto e idade. Aproveite. E agora, para finalizar, deixo o hino de Lily (Nem sempre Lily toca flauta):
Leia mais:
Ceroulas faz festa para comemorar os 50 anos
Nem sempre Lily toca flauta
Coroas de Aço Inox anima zona norte do Recife
Nem sempre Lily toca flauta
Coroas de Aço Inox anima zona norte do Recife
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